Tenho andado preguiçoso, mais do que o normal, é importante salientar. Parte por ter enfrentado um fim de semestre na faculdade do cão: Monografia e muito muitos relatórios. Na verdade esse cansaço de fim de semestre logo após uma semana já havia se diluído, ao menos o bastante para eu ler um livro, escrever no blog, escrever alguns versos. E não tenho feito praticamente nada disso, apesar de ter tempo. Até estou lendo um livro de mitos, que comprei para uma matéria da faculdade. E considero pouco, tendo em vista minha chateação ao longo do semestre por não poder ler o que eu queria, não poder escrever, não poder tocar guitarra, gravar idéias e etc.
Na realidade, o que se passa é uma profunda alienação ao ócio improdutivo que a internet pode proporcionar. Tenho entrado compulsivamente em blogs de humor; assistido a testes de equipamentos de guitarra no Youtube; conferido meus e-mails copiosamente; escutado música quando muitas vezes o meu desejo era silêncio. Bom resumindo, porque tanto faz as minhas distrações, o ponto é outro. Vivemos em uma época impressionante, muito devido ao capitalismo dominar de várias maneiras nossa cultura. O que nos traz muitos comodismos e facilidades, em suma: prazer fácil em muitos contextos.
Até aí não vejo muito problema, aposto que você também não. Talvez você disfarce, pelo caminho da má fé, se posicionando contra essas facilidades. Por um sentimento de culpa por ter prazer fácil e, não raro, sem precisar do outro. É provável que esse incômodo, é claro existem muitas outras possibilidades, seja ocasionado por uma lógica: Se eu não preciso do outro, pois a modernidade com sua tecnologia elimina a necessidade prática da presença do outro, logo esse outro não precisa de mim também.
Bom aí fodeu, porque, ao meu ver pelo menos, a vida não tem sentido e entre muitos sentidos possíveis está na relação com o outro o que nos oferece contorno pra nossa história. Haja vista que daqui cem anos e mais só estaremos “vivos” graças à curiosidade de alguém pelo tempo passado. Por exemplo: A curiosidade de um descendente a respeito da trajetória de sua família; ou a consideração de alguém por alguma produção sua, seja artística ou científica etc. Ou seja, alguém tem que ver sentido em olhar pra trás, e se você for sortudo estará no campo de visão. E hoje a minha impressão é de um profundo interesse geral das pessoas pelo futuro, até porque pra muitos o passado está no amanhã. Com as pesquisas científicas, nem sempre tão científicas, é uma questão de “É só esperar o volume da Super Interessante que saberemos as verdades do passado, e o sentido da vida”. Nunca se sabe não é? Podemos pensar errado sobre nossas próprias histórias e vida.
Bom, eu ia falar sobre o capitalismo e suas facilidades, certo? Se não é isso é quase isso. Vamos lá… Quer saber, quem sabe depois do ano novo. Me deu uma preguiça… Logo mais a parte II.
Abraço a todos e feliz ano! Novo? Vamos ver! … Brincadeira, FELIZ ANO NOVO! Afinal, temos que ser educados e oferecer esperança.